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O Desenvolvimento do Mergulho Autônomo

As tentativas de dotar o homem de maior autonomia debaixo da água se sucederam e alcançaram cada vez maiores profundidades, quando começ...

As tentativas de dotar o homem de maior autonomia debaixo da água se sucederam e alcançaram cada vez maiores profundidades, quando começaram a surgir os problemas provocados pelas variações de pressão as quais eram submetidos os mergulhadores. Os males causados pela exposição a pressões elevadas eram verdadeiros pesadelos para o mergulho de então. Tentando encontrar uma solução para estes problemas, as investigações se orientaram para um aparelho que facilitasse a regulagem automática do suprimento de ar e que ao mesmo tempo pudesse liberar o mergulhador do cordão umbilical da superfície. 

Aqueles cientistas que tinham consciência dos problemas que atormentavam o mergulhador continuavam sem levar em conta que o homem se movia na água em um meio 800 vezes mais denso que o ar e insistiam em fazer o mergulhador caminhar ereto, arrastando sapatos de chumbo.  

Por fim, o tão esperado acontecimento se produziu por obra de um oficial da marinha francesa e um engenheiro: Auguste Denayrouse e Benoit Rouquayrol, ambos em colaboração, conceberam um aparelho que deram o nome de “aerófago” (portador de ar) que pela primeira vez regulava automaticamente o suprimento de ar e liberava o mergulhador da dependência da superfície. 

O aparato era simples e propiciou o surgimento do moderno regulador de pressão. Sem dúvida, este invento foi de extrema importância na época e por suas consequências posteriores, possibilitou a utilização do princípio da membrana equilibradora, representando assim o primeiro passo para o regulador automático de pressões. Tal aparelho foi pouco utilizado, já que sua autonomia era muito limitada e por não dispor de visor adequado. O mergulhador, uma vez submerso ficava praticamente sem visão. 

Em 1925, outro inventor francês, marinheiro de profissão e apelidado Le Prieur, desenhou um novo aparato, baseado no equipamento de Denayrouse y Rouquayrol, que melhorou sensivelmente o modelo. Este aparelho era dotado, pela primeira vez, de uma garrafa de aço carregada a aproximadamente 22,05 PSI, mas sua capacidade era muito limitada pois não passava de 6,5 litros. 

O regulador era acoplado sobre a garrafa e tinha duas câmaras: uma de pressão ambiente pela qual penetrava a água e outra de baixa pressão; entre ambas as câmaras eram ajustada uma membrana que fazia o papel de equilibrador de pressão, da qual saia o tubo de suprimento de ar. O aparelho tinha um manômetro que facilitava ao mergulhador um suprimento de ar adicional, quando o regulador não enviava o suficiente. Para solucionar a falta de um visor, pela primeira vez se utilizou um sistema de visão submarina por meio de uma grande máscara facial, por cuja borda inferior era expelido o ar expirado.  

Porém, este aparelho não chegou a satisfazer todas as esperanças que se haviam depositado, pois o fato de não dispor de um controle do consumo de ar, presumia um desperdício que limitava de grande maneira sua autonomia, reduzida a aproximadamente quinze minutos, a profundidades não superiores a 15m. Nas provas de profundidades maiores, entretanto, realizadas com este aparelho, foi atingido satisfatoriamente os 50m de profundidade.  

Indubitavelmente foi dado um importante passo, com a liberação do mergulhador do cordão umbilical da superfície, livrando-o da claustrofóbica sensação dos escafandros clássicos, até então utilizados. Tal avanço propiciou também o conhecimento de alguns itens de  segurança que anos mais tarde  seriam consagrados para as atividades de mergulho. 

Apenas um pequeno, mas importante detalhe não fora ainda satisfeito: melhorar o deslocamento do mergulhador embaixo d’água, liberando-o da posição ereta e dos pesados e incômodos sapatos de chumbo. 

Oito anos depois do invento de Le Prieur, um outro compatriota, marinheiro de profissão, apresentou ao alto comando da Marinha Militar Francesa, um par de nadadeiras de borracha e, mesmo que aquela demonstração não tenha causado nenhuma sensação, no transcorrer dos anos, foi reconhecido o valor do invento de Luis de Corlieu. Em 1937, na costa francesa do Mediterrâneo, foi testado um dos primeiros cilindros de ar comprimido, no qual o mergulhador regulava manualmente o fornecimento do ar, abrindo e fechando uma válvula. Em 1943, outro francês chamado George Commheines realizou a primeira prova de um equipamento de sua invenção que melhorava sensivelmente o aparato de Le Prieur.

Foi testado nas águas de Marselha e obteve êxito ao alcançar os 35 m de profundidade. Paralelamente aos trabalhos de Commheines, no mesmo ano de 1943, foi constatado um feito histórico na evolução do mergulho: uma equipe, também composta por um marinheiro e um engenheiro deu os últimos toques e se dispôs a submeter a prova o aparato que era considerado a solução dos problemas sofridos por várias gerações de exploradores subaquáticos. A equipe era composta pelo engenheiro Emile Gagnam, e pelo marinheiro Jacques Ives Cousteau, além de um voluntário que provaria o aparato, o jovem desportista Fréderic Dumas. 

O acontecimento teve lugar numa manhã do mês de julho de 1943, na Costa Azul francesa. De uma forma discreta, aparentemente sem importância, Dumas conseguiu alcançar os 63 m de profundidade, coroando de êxito a experiência. 

 Modelo de “Aqualung”

O equipamento Cousteau-Gagnam foi denominado “Aqualung”, baseava-se nos predecessores de Denayrouse e Rouquayrol e Le Prieur, e continha um sistema da membrana equilibradora de pressão, melhorando sensivelmente seu conceito. Todo o processo e regulação de pressões realizava-se em um corpo único de regulador, composto por três câmaras: de alta, baixa e pressão ambiente. Apresentava, ainda, uma grande novidade, pois o circuito respiratório se desenvolvia praticamente todo através do regulador. O regulador tinha incorporado dois tubos traqueais: um de admissão e outro de expulsão de ar que ia desde o bocal até a câmara de pressão ambiente, de onde saia o ar para o exterior. 

Tal sistema facilitava a respiração tornando-a bastante cômoda até profundidades aceitáveis, que não eram atingidas até então.  Outra vantagem do novo aparelho era a autonomia proporcionada pelos três cilindros de aço. O "aqualung", também conhecido como scuba (self-contained underwater breathing apparatus), se tornou disponível comercialmente em 1946. 


FONTE DE REFERÊNCIA
MANUAL DE OPERAÇÕES DE MERGULHO (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO)