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Como Ocorrem as Queimaduras

As queimaduras figuram entre as lesões traumáticas mais recorrentes no contexto doméstico e ocupacional, constituindo um relevante probl...

As queimaduras figuram entre as lesões traumáticas mais recorrentes no contexto doméstico e ocupacional, constituindo um relevante problema de saúde pública devido à sua elevada incidência, potencial de gravidade e impacto funcional, estético e psicológico sobre as vítimas. Tais lesões resultam, de forma frequente, da interação entre o ser humano e uma ampla gama de agentes agressivos, incluindo fontes térmicas, substâncias químicas, correntes elétricas e radiações, sendo capazes de produzir desde danos superficiais até destruições profundas e irreversíveis dos tecidos orgânicos.

No ambiente doméstico, onde grande parte desses acidentes ocorre, destacam-se situações aparentemente rotineiras que, na ausência de medidas preventivas adequadas, tornam-se altamente perigosas. Entre elas, incluem-se os acidentes envolvendo líquidos em ebulição como água a ferver, óleo quente e outros fluidos aquecidos bem como a exposição a vapor sob pressão, frequentemente negligenciada quanto ao seu potencial lesivo. Soma-se a isso o contato direto com fontes de calor, tais como chamas abertas provenientes de lareiras, fogões, velas ou incêndios acidentais, além da manipulação inadvertida de superfícies aquecidas, como panelas, chapas metálicas e equipamentos domésticos.

No âmbito ocupacional, os riscos ampliam-se significativamente, sobretudo em atividades industriais, elétricas, químicas e operacionais, nas quais há exposição contínua a agentes potencialmente perigosos. A manipulação de substâncias químicas corrosivas, por exemplo, pode provocar queimaduras profundas com rápida progressão, enquanto acidentes envolvendo corrente elétrica apresentam características particulares, muitas vezes com lesões internas graves não imediatamente visíveis na superfície cutânea.

Adicionalmente, incluem-se ainda as queimaduras decorrentes da exposição prolongada à radiação solar intensa, especialmente em regiões tropicais, onde a incidência de raios ultravioleta é elevada, bem como os acidentes envolvendo descargas elétricas naturais ou artificiais. Importa salientar que, em diversos casos, a gravidade da queimadura não se manifesta de forma evidente à primeira observação, exigindo avaliação criteriosa e conhecimento técnico para identificação precisa dos danos.

Diante desse cenário multifatorial, torna-se imprescindível compreender não apenas os mecanismos de ocorrência dessas lesões, mas também suas classificações, manifestações clínicas e condutas adequadas de atendimento, uma vez que intervenções incorretas ou tardias podem agravar significativamente o quadro clínico, aumentando o risco de complicações, infecções e sequelas permanentes.

Classificação das Queimaduras Quanto à Profundidade Tecidual

A partir dessas diferentes etiologias, as queimaduras classificam-se tradicionalmente em três graus distintos, de acordo com a profundidade e extensão dos danos teciduais. As queimaduras de primeiro grau caracterizam-se por um comprometimento superficial da epiderme, manifestando-se clinicamente por eritema (vermelhidão), edema (inchaço) e dor local, geralmente sem formação de bolhas, refletindo uma resposta inflamatória limitada.

Já as queimaduras de segundo grau apresentam maior profundidade, atingindo parcialmente a derme, o que resulta em dor mais intensa, presença de flictenas (bolhas) e exsudação (humidade) na área afetada, indicando um processo inflamatório mais acentuado e maior comprometimento estrutural da pele.

Por fim, as queimaduras de terceiro grau representam o estágio mais severo, com destruição total das camadas cutâneas e possível comprometimento de estruturas subjacentes; a pele pode adquirir coloração esbranquiçada, acastanhada ou carbonizada, e, paradoxalmente, a dor pode ser reduzida ou inexistente devido à destruição das terminações nervosas. Em tais circunstâncias, o encaminhamento imediato da vítima para uma unidade hospitalar torna-se imperativo e inadiável.

Condutas Gerais e Práticas Contraindicadas no Atendimento Inicial

Independentemente do grau ou da etiologia da queimadura, existem condutas padronizadas que devem ser rigorosamente observadas, assim como práticas que devem ser categoricamente evitadas. É fundamental salientar que a aplicação de substâncias caseiras ou alimentos sobre a área lesionada como leite, manteiga, óleos, gorduras em geral, cebola, ovo, café, entre outros é absolutamente contraindicada, uma vez que tais práticas podem favorecer a contaminação, agravar a lesão e dificultar a avaliação clínica posterior.

Do mesmo modo, o uso de produtos domésticos, como álcool ou pasta dentífrica, bem como a aplicação indiscriminada de pomadas sem prescrição médica, constitui conduta inadequada e potencialmente prejudicial. A ausência de conhecimento técnico-científico adequado pode não apenas comprometer o processo de cicatrização, mas também agravar significativamente o quadro clínico da vítima, podendo inclusive gerar complicações infecciosas ou retardar a recuperação funcional dos tecidos.

Procedimentos em Situações de Incêndio com Envolvimento de Vítimas

No contexto específico de incêndios, medidas imediatas e corretas são determinantes para a sobrevivência e redução de danos. Caso as vestes da vítima estejam em combustão, é imprescindível impedir que esta corra, pois o fluxo de ar intensifica a chama e acelera o processo de combustão.

A conduta adequada consiste em deitar a pessoa no solo e envolvê-la com um material espesso como cobertores, tapetes ou casacos de modo a abafar o fogo, interrompendo o fornecimento de oxigênio necessário à combustão. Na ausência desses recursos, recomenda-se que a vítima role sobre o próprio corpo, com o objetivo de extinguir as chamas por abafamento, técnica amplamente difundida em protocolos de emergência.

Cuidados Diretos com a Área Lesionada

No que se refere ao manejo direto da área queimada, é essencial evitar qualquer tipo de manipulação desnecessária. A região lesionada não deve ser tocada, e as bolhas formadas não devem ser perfuradas, tampouco se deve remover a pele desprendida resultante de flictenas rompidas, pois essas estruturas atuam como barreiras naturais contra infecções.

Caso haja vestimentas aderidas à pele queimada, estas não devem ser arrancadas; recomenda-se cortar cuidadosamente o tecido ao redor, mantendo intacta a porção que está colada à lesão, a fim de evitar agravamento do trauma. Além disso, é contraindicado o uso de algodão diretamente sobre a ferida, devido ao risco de aderência e contaminação, bem como a aplicação de gelo ou água excessivamente fria, pois tais práticas podem agravar o dano tecidual por vasoconstrição intensa.

Cuidados Sistêmicos e Suporte à Vítima de Queimaduras

Do ponto de vista sistêmico, a vítima de queimaduras deve ser mantida adequadamente hidratada, considerando as perdas de fluidos associadas à lesão e à resposta inflamatória do organismo. Em casos de dor intensa, a administração de analgésicos pode ser considerada, desde que respeitadas as orientações médicas e as condições clínicas do paciente.

A elevação do membro ou da área afetada acima do nível do corpo contribui significativamente para a redução do edema, favorecendo o retorno venoso e minimizando o acúmulo de líquidos nos tecidos, o que auxilia no controle do inchaço e na melhora do conforto da vítima.

Atendimento Inicial Específico por Grau de Queimadura

No atendimento inicial às queimaduras de primeiro grau, a conduta prioritária consiste na aplicação imediata de água fria corrente sobre a área afetada, com o intuito de interromper o processo térmico, reduzir a temperatura local e aliviar a dor, seguida da cobertura com gaze estéril para proteção da região.

Já nas queimaduras de segundo grau, recomenda-se que a gaze utilizada esteja previamente embebida em vaselina esterilizada, de modo a proteger a lesão, evitar aderências durante a troca de curativos e promover um ambiente úmido controlado, considerado ideal para o processo de cicatrização tecidual.


FONTE DE REFERÊNCIA
CESBOM - CENTRO DE ESTUDOS PARA BOMBEIROS