Constitui uma das condições mais críticas, complexas e desafiadoras no âmbito do atendimento pré-hospitalar e da medicina de emergência, n...

Constitui uma das condições mais críticas, complexas e desafiadoras no âmbito do atendimento pré-hospitalar e da medicina de emergência, não apenas pela sua elevada letalidade potencial, mas principalmente pela sua natureza silenciosa, progressiva e, muitas vezes, de difícil reconhecimento em estágios iniciais. Diferentemente das hemorragias externas, nas quais a perda sanguínea é evidente e permite uma intervenção mais imediata e direcionada, o sangramento interno desenvolve-se de forma oculta, podendo evoluir rapidamente sem manifestações clínicas exuberantes nas fases iniciais. Essa característica impõe ao socorrista a necessidade de um elevado nível de capacitação técnica, pensamento crítico e domínio dos princípios de avaliação do trauma, especialmente no que se refere à análise da cinemática do acidente e à correlação entre os mecanismos de lesão e os possíveis danos anatômicos subjacentes.
Nesse contexto, a abordagem eficaz das hemorragias internas exige muito mais do que a simples observação de sinais visíveis; requer uma investigação minuciosa da história do evento, uma avaliação primária rigorosa e um exame secundário detalhado, capaz de identificar alterações sutis que possam indicar deterioração clínica. A compreensão de que o paciente pode aparentar estabilidade inicial, mesmo diante de perdas sanguíneas significativas, é essencial para evitar subestimação do quadro. Assim, o reconhecimento precoce dessa condição está diretamente relacionado à capacidade do socorrista em identificar padrões fisiológicos alterados e sinais indiretos de hipoperfusão, antecipando complicações como o choque hipovolêmico, que pode se instalar de forma rápida e devastadora.
O sangramento interno, de modo geral, está associado a traumas fechados nos quais não há ruptura da pele e a determinadas fraturas, como as fraturas pélvicas, que possuem alto potencial hemorrágico devido à rica vascularização da região. Apesar de não ser visível externamente, esse tipo de hemorragia pode resultar em perdas volumosas de sangue, comprometendo a oxigenação tecidual e levando à falência de múltiplos órgãos. Dessa forma, a suspeita deve sempre ser fundamentada na análise integrada dos sinais clínicos, sintomas apresentados e, sobretudo, no mecanismo do trauma envolvido.
Causas Comuns de Hemorragias Internas
Compreender as causas das hemorragias internas é fundamental para o socorrista, pois permite estabelecer uma relação direta entre o mecanismo do trauma ou a condição clínica apresentada e o risco potencial de sangramento oculto. A análise criteriosa dessas causas possibilita não apenas a suspeita precoce, mas também a antecipação de complicações graves, como o choque hipovolêmico.
De modo geral, essas hemorragias podem ocorrer em decorrência de forças mecânicas aplicadas ao corpo como impactos, compressões ou perfurações ou ainda por alterações patológicas que comprometem a integridade dos vasos sanguíneos e tecidos orgânicos. Em muitos casos, a associação entre trauma e condição clínica prévia potencializa o risco e a gravidade do sangramento.
Abaixo estão descritas as causas mais comuns de hemorragias internas:
Traumas Fechados
Correspondem a impactos contundentes que não rompem a pele, mas provocam lesões internas significativas, como contusões e lacerações de órgãos sólidos (fígado, baço e rins), levando ao extravasamento de sangue para cavidades corporais.
Fraturas Ósseas
Fraturas de ossos longos, como fêmur e úmero, e especialmente fraturas pélvicas, são causas importantes de hemorragia interna. A pelve pode acumular grandes volumes de sangue, tornando essas lesões extremamente perigosas.
Traumas Penetrantes
Ferimentos causados por armas brancas, projéteis de arma de fogo ou objetos perfurantes que atravessam a pele e atingem órgãos internos, resultando em hemorragias frequentemente graves e de rápida evolução.
Distúrbios Vasculares
Incluem condições como aneurismas e varizes esofágicas, que podem se romper espontaneamente, provocando sangramentos internos maciços, mesmo na ausência de trauma.
Condições Médicas Subjacentes
Doenças como úlceras gástricas, patologias hepáticas (como cirrose) e distúrbios de coagulação aumentam significativamente o risco de hemorragias internas espontâneas ou agravadas por traumas.
Sinais e Sintomas
Os sinais e sintomas de sangramento interno são semelhantes aos do choque: inquietação e ansiedade, pele fria e úmida, pulso rápido e fraco, respiração rápida e, finalmente, uma queda na pressão arterial. Pode haver sinais e sintomas adicionais, dependendo da fonte do sangramento.
O sangramento interno pode não causar sinais e sintomas por horas ou dias; lembre-se que pode haver sangramento interno mesmo sem haver sinais ou sintomas.
Entre os sintomas comuns, destacam-se:
Dor Localizada - Como dor abdominal, torácica ou nas costas, dependendo da área afetada.
Sinais de Choque - Como hipotensão (queda da pressão arterial), taquicardia (aumento da frequência cardíaca), palidez e suor frio.
Dificuldade para Respirar - Especialmente em hemorragias torácicas.
Vômitos ou Tosse com Sangue - Quando o sangramento afeta os pulmões ou o trato gastrointestinal.
Alteração no Nível de Consciência - Como confusão ou perda de consciência, especialmente em hemorragias cranianas.
Distensão Abdominal ou Inchaço - Indicação de acúmulo de sangue dentro da cavidade abdominal.
Hematoma
Representa uma manifestação clínica frequentemente associada a traumas, caracterizada pelo acúmulo de sangue nos tecidos devido à ruptura de vasos sanguíneos. Embora, em muitos casos, seja visível superficialmente, o hematoma também pode indicar lesões mais profundas e, consequentemente, a presença de sangramento interno. Sua identificação é de extrema importância no contexto do atendimento pré-hospitalar, pois pode servir como um sinal indireto de comprometimento estrutural significativo, especialmente quando associado a outros sintomas sistêmicos ou localizado em regiões críticas do corpo.
Dor, sensibilidade, inchaço ou descoloração no local da lesão;
Em trauma fechado na cabeça, sangramento da boca e sangue ou fluido sanguinolento no nariz ou ouvidos;
Em trauma fechado no abdome, sangramento do reto ou sangramento não-menstrual da vagina tosse com sangue vermelho-vivo, espumoso;
Respiração rápida e superficial vômito tendo sangue vermelho-vivo;
Fezes escuras; rigidez no abdome;
Espasmos dos músculos abdominais sangue na urina ou urina escura.
Suspeitar de Hemorragia Interna
A suspeita de hemorragia interna deve ser considerada de forma imediata sempre que houver indícios clínicos ou evidências relacionadas ao mecanismo do trauma que sugiram lesões profundas e potencialmente ocultas. Como esse tipo de sangramento não é visível externamente na maioria dos casos, o reconhecimento depende da observação criteriosa de sinais indiretos, alterações fisiológicas e achados específicos durante a avaliação da vítima. A identificação precoce desses indícios é fundamental para evitar a progressão para quadros graves, como o choque, aumentando significativamente as chances de sobrevivência.
Ferimentos penetrantes no crânio;
Sangue ou fluídos sanguinolentos drenando pelo nariz ou orelha;
Vômito ou tosse com sangue;
Hematomas ou traumas penetrantes no pescoço;
Hematomas no tórax ou sinais de fraturas de costelas;
Ferimentos penetrantes no tórax ou abdome;
Abdome aumentado ou com áreas de hematoma;
Abdome rígido, sensível ou com espasmos;
Sangramento retal ou vaginal;
Fraturas de pelve, ossos longos da coxa e braço;
Nunca obstrua a saída de sangue através dos orifícios naturais: boca, nariz, orelha, ânus, vagina.
FONTE DE REFERÊNCIA
CESBOM - CENTRO DE ESTUDOS PARA BOMBEIROS
FONTE DE REFERÊNCIA
CESBOM - CENTRO DE ESTUDOS PARA BOMBEIROS
MANUAL DE RESGATE E EMERGÊNCIAS MÉDICAS (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO)








