Os incêndios em prédios normalmente envolvem combustíveis sólidos comuns que exigem o emprego de um agente extintor que tenha uma alta c...

Os incêndios em prédios normalmente envolvem combustíveis sólidos comuns que exigem o emprego de um agente extintor que tenha uma alta capacidade de absorção de calor. A água sob a forma líquida possui propriedades que capacitam absorver mais calor do que a maioria das substâncias conhecidas. É o meio mais prático e econômico que pode ser empregado no controle e extinção de incêndios envolvendo combustíveis sólidos comuns. Uma alta percentagem de vaporização é a chave do emprego com sucesso da água como agente controlador e extinção de incêndios envolvendo combustíveis sólidos comuns.
Onde quer que a água seja empregada como agente extintor ou controlador, deve ser aplicada sob uma forma e numa proporção que assegure a mais alta percentagem de vaporização que possa ser atingida sob as circunstâncias existentes. A água é, até então, a principal resposta para o problema de controle e extinção dos grandes incêndios envolvendo prédios e outros combustíveis sólidos comuns, e a principal maneira para aumentar a sua eficiência extintora se dá pelo aumento da percentagem de vaporização.
Incêndios Interiores
O método mais prático e eficiente de combater os grandes incêndios interiores é pelo emprego do método indireto de ataque, usando a vaporização e expansão das partículas de água de esguichos para absorver e transferir calor, extinguindo o incêndio.
Ataque Indireto de Incêndios em Interiores
Este método é chamado indireto devido ao fato de os bombeiros encarregados de combater o incêndio não penetrarem no prédio ou no local incendiado. Só é praticável quando o interior do prédio, cômodo ou espaço incendiado estiver completamente envolvido pelo fogo. Não deve ser levado a efeito em pequenos incêndios que não encham o espaço com fumaça; nestes, deve-se usar a água diretamente.
O método do ataque indireto foi muito bem estudado por Lloyd Layman, no livro: “Attacking and Extinguishing Interior Fires”, onde descreve e explica sobejamente este método.
O método indireto consiste em se dirigir jatos de neblina ou chuveiro (neblina de baixa pressão) na parte superior do espaço ou local onde o calor for mais intenso. Estes jatos são introduzidos através de pequenas aberturas feitas nas paredes ou através das aberturas naturais como janelas, buracos de ventilação, etc.
A experiência e a análise da situação determinarão qual a medida do jato a ser utilizado e por quanto tempo o mesmo funcionará. Em condições favoráveis, a quantidade de água utilizada no interior do prédio deve ser tal que se vaporize rapidamente, de modo a se obter o maior efeito de resfriamento oferecido pela água. A produção de vapor de água é uma indicação de que se está obtendo o efeito de resfriamento proporcionado pela água.
Neste método, os jatos de neblina são utilizados somente para dominar o fogo. Normalmente, o controle do fogo é indicado durante o desenvolvimento das operações pela formação de nuvens brancas de vapor em condensação, que saem do local incendiado, em lugar das nuvens de fumaça preta, que indicam a combustão. A experiência permitirá reconhecer quando o incêndio está dominado, possibilitando penetrar no interior da edificação para se extinguir os focos remanescentes e executarem-se as operações de salvamento ainda necessárias.
Devido ao fato de o vapor ser facilmente expulso do interior do prédio, em virtude do aumento da pressão interna, isso acaba por arrastar também os gases quentes. Para proteção, os bombeiros devem ficar abaixo do nível ou fora do alcance das nuvens de vapor que saem pelas aberturas e por onde estão sendo usados os esguichos. O método indireto é particularmente eficiente onde o confinamento é bastante efetivo como nos navios e subsolos de edifícios.
O princípio de ação deste método baseia-se no fato de que a água nebulizada transforma-se rapidamente em vapor devido à presença do calor. Esta rápida transformação da água em vapor produz uma turbulência interna que se propaga a todo o espaço interno. Através desta turbulência, a água nebulizada e o seu vapor são levados em contato com todas as superfícies quentes ou em combustão dentro do espaço confinado e, ao mesmo tempo, ao se vaporizar totalmente obtém-se o máximo efeito de resfriamento.
Após o total resfriamento do ambiente, o vapor de água começa a se condensar e determina uma diminuição na pressão interna; consequentemente, obriga a penetração de ar fresco, o que refresca o ambiente e permite a entrada dos bombeiros no local do incêndio de maneira confortável, sem muito calor e sem fumaça, permitindo o extermínio dos focos remanescentes. Com este método obtém-se a extinção de grande número de incêndios, com um consumo mínimo de água.
Prédios com “Sprinklers”
O sistema de “sprinklers”, quando instalado adequadamente, impede o acúmulo de calor excessivo dentro do prédio envolvido. A guarnição deve entrar no prédio e aplicar o volume de água necessário, diretamente no combustível em combustão. Se necessário, pressão e volume adequados devem ser mantidos com auxílio das bombas das viaturas ligadas ao sistema. Depois que o fogo for extinto, os “sprinklers” devem ser fechados até que o rescaldo tenha sido completado. Os bicos das seções de “sprinklers” devem ser recolocados e o sistema posto novamente em operação, o quanto antes.
Incêndios em Prédios não Confinados
A produção de chamas pode desenvolver-se rapidamente dentro de um prédio se as aberturas de entrada e saída de ar suficientes em tamanho e localizadas de modo que o combustível em combustão possa obter um suprimento adequado de oxigênio por circulação de ar da atmosfera externa não estiverem fechadas.
A extinção depende dos seguintes objetivos:
Razão Calor - Água
A razão na qual o calor é transferido para a água que está sendo aplicada deve exceder a razão da perda natural de calor por radiação e convecção para o exterior. Isto significa que a água deve ser aplicada sob a forma e numa proporção que reduza o volume e a intensidade da produção de chamas.
Calor Residual
O calor residual dentro de uma edificação deve ser reduzido a um grau que permita aos bombeiros entrarem e restringirem o fogo remanescente. Fazendo o controle de um incêndio dessa natureza, um comandante deve estimar suas capacidades de concentrar volume suficiente de água para atingir estes objetivos ou para controlar a proporção do fogo a uma extensão que possa prevenir a sua propagação a outros prédios ou materiais expostos.
Ele deve considerar o tamanho e altura dos prédios envolvidos, construção, natureza e quantidade de conteúdo, proporção do material já atingido pelo fogo, extensão da destruição, suprimento de água, capacidade das bombas e outros fatores essenciais. Em muitos casos, a única ação prática é proteger os pontos expostos e deixar o fogo extinguir-se por si mesmo, consumindo todo o combustível envolvido.
Em alguns casos, pode ser possível fornecer adequada proteção às edificações vizinhas e atacar e extinguir o fogo em uma ou mais seções do prédio envolvido. É preferível atender a um objetivo limitado a gastar todos os recursos disponíveis tentando realizar o impossível.
Os bombeiros devem ser treinados no uso tanto de neblina como de jatos sólidos e devem ter um conhecimento claro das vantagens e limitações de cada forma de aplicação.
O pessoal deve ser treinado na arte de atacar, controlar e extinguir o fogo pelo uso da água vaporizada. Este treinamento deve ser conduzido do modo mais próximo possível das condições encontradas nos casos reais. Habilidade e confiança são essenciais para o emprego vantajoso da neblina e este método de treinamento é necessário para o desenvolvimento destes fatos essenciais.
Deve-se exercitar a supervisão no incêndio para assegurar o seguinte:
- Pressão suficiente nos esguichos para produzir neblina eficiente.
- Que estes esguichos sejam operados de posições que capacitem os operadores a obter resultados efetivos.
- Que estas neblinas sejam dirigidas e manejadas para obter o máximo de ação controladora e extintora da água projetada.
- Que sob as circunstâncias existentes, a mais eficiente forma de aplicação (neblina ou jato sólido) esteja sendo empregada.
- Que onde for possível no combate aos grandes incêndios, esguichos de grande volume sejam operados do lado que sopra o vento, para obter o máximo alcance e cobertura.
FONTE DE REFERÊNCIA
MANUAL DE ESTRATÉGIA E TÁTICA DE COMBATE A INCÊNDIO (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO)








