A compreensão aprofundada dos tipos de mangueiras de incêndio constitui um dos pilares fundamentais para a eficiência operacional nas at...

A compreensão aprofundada dos tipos de mangueiras de incêndio constitui um dos pilares fundamentais para a eficiência operacional nas atividades de combate a incêndios e salvamento. Muito além de simples condutores de água, as mangueiras representam um elemento técnico de alta responsabilidade dentro do sistema hidráulico de combate, sendo diretamente influenciadas por fatores como pressão, vazão, resistência mecânica, abrasão, temperatura e agentes químicos presentes no ambiente de atuação. A escolha inadequada desse equipamento pode comprometer não apenas o desempenho da operação, mas também a segurança da guarnição e o sucesso da resposta à emergência.
No contexto brasileiro, a padronização e classificação das mangueiras são estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, por meio da norma NBR 11861/98, que define critérios rigorosos relacionados à construção, desempenho e aplicação desses equipamentos. Essa normatização é essencial para garantir uniformidade, confiabilidade e interoperabilidade entre diferentes corpos de bombeiros, brigadas de incêndio e sistemas fixos de proteção contra incêndio em edificações.
Sob essa perspectiva, as mangueiras de incêndio são classificadas em cinco tipos distintos, cada um projetado para atender a demandas operacionais específicas, variando desde aplicações leves em edificações residenciais até cenários severos encontrados em ambientes industriais, navais e operações de grande complexidade. Essa classificação leva em consideração aspectos construtivos como o número de capas têxteis, o tipo de revestimento externo e o material do tubo interno além de parâmetros técnicos fundamentais, como pressão máxima de trabalho, pressão de prova, pressão de ruptura e resistência à abrasão.
Adicionalmente, é imprescindível compreender que a eficiência do emprego das mangueiras não está apenas relacionada ao seu tipo, mas também ao seu diâmetro nominal, fator determinante para o comportamento hidráulico da linha, especialmente no que se refere à perda de carga, à capacidade de transporte de grandes vazões e à mobilidade durante as operações. Assim, a correta seleção entre mangueiras de 38 mm, 63 mm, 75 mm ou 100 mm impacta diretamente na estratégia de combate, seja em linhas diretas de ataque, linhas de proteção ou linhas adutoras destinadas ao suprimento de água.
Dessa forma, o estudo detalhado dos tipos de mangueiras de incêndio não deve ser encarado como um conhecimento meramente teórico, mas sim como uma competência técnica indispensável ao profissional de emergência. Dominar essas classificações permite decisões mais assertivas em campo, otimiza o tempo de resposta e eleva significativamente o nível de segurança e eficiência das operações, consolidando a base para uma atuação profissional de excelência no serviço de combate a incêndios.
Classificação das Mangueiras
As mangueiras de incêndio são organizadas em cinco categorias distintas, definidas conforme suas características construtivas e a finalidade de uso em diferentes cenários operacionais. Cada tipo apresenta níveis específicos de resistência, flexibilidade e durabilidade, sendo projetado para atender desde aplicações mais simples até ambientes de maior exigência, onde há necessidade de suportar condições severas de uso.
Tipo 1 - Destina-se a edifícios de ocupação residencial.
Mangueira de capa simples tecida em fio de poliéster e tubo interno de borracha sintética, leve, compacta e resistente à deterioração por bolor e fungos.
- Pressão máxima de trabalho = 10 Kgf/cm²
- Pressão de prova = 21 Kgf/cm²
- Pressão de ruptura = 35 Kgf/cm²
- Resistência à abrasão = 150 ciclos
Diâmetro nominal (DN) = 38 mm (1½“)
Mangueira tipo 1
Tipo 2 - Destina-se a edifícios comerciais e industriais ou Corpo de Bombeiros.
Mangueira de capa simples, tecida em poliéster e tubo interno de borracha sintética. Resistente, robusta e flexível, é adequada tanto para áreas internas como externas, sendo própria tanto para áreas industriais como para serviços pesados.
- Pressão máxima de trabalho = 14 Kgf/cm²
- Pressão de prova = 28 Kgf/cm²
- Pressão de ruptura = 55 Kgf/cm²
- Resistência à abrasão = 380 ciclos
Diâmetro nominal = 38 mm (1½”) ou 63 mm (2½”)
Mangueira tipo 2
Tipo 3 - Destina-se às áreas navais e industriais ou Corpo de Bombeiros, em que é desejável uma maior resistência á abrasão.
Mangueira com duas capas tecidas em fio de poliéster e tubo interno de borracha sintética. Resistência extra, própria para uso naval.
- Pressão máxima de Trabalho = 15 Kgf/cm²
- Pressão de prova = 30 Kgf/cm²
- Pressão de ruptura = 60 Kgf/cm²
- Resistência à abrasão = 500 ciclos
Diâmetro nominal = 38 mm (1½”) ou 63 mm (2½”)
Mangueira tipo 3
Tipo 4 - Destina-se à área industrial, na qual é desejável uma maior resistência à abrasão.
Mangueira com capas simples tecidas em fio de poliéster com revestimento externo em composto especial de uretano e tubo interno de borracha sintética. Versátil como as mangueiras tipo 2, com grande resistência ao desgaste, indicada para ambientes industriais internos ou externos e Corpo de Bombeiros.
- Pressão máxima de Trabalho = 14 Kgf/cm²
- Pressão de prova = 28 Kgf/cm²
- Pressão de ruptura = 55 Kgf/cm²
- Resistência à abrasão = 500 ciclos
Diâmetro nominal = 38 mm (1½”) ou 63 mm (2½”)
Mangueira tipo 4
Tipo 5 - Destina-se às áreas industriais ou Corpo de Bombeiros, em que é desejável uma maior resistência à abrasão e a superfícies quentes.
Mangueira com reforço têxtil, tecido em fio sintético de alta tenacidade com revestimento externo e tubo interno em borracha nitrílica. Maior resistência a perfurações, cortes e produtos químicos. Alta resistência à abrasão e superfícies quentes.
- Pressão máxima de Trabalho = 14 Kgf/cm²
- Pressão de prova = 28 Kgf/cm²
- Pressão de ruptura = 45 Kgf/cm²
- Resistência à abrasão = 700 ciclos
Diâmetro nominal = 38 mm (1½”) ou 63 mm (2½”)
Mangueira tipo 5
Diâmetro das Mangueiras no Combate a Incêndios
Outra classificação de mangueiras empregadas no combate a incêndio é quanto ao seu diâmetro nominal. Nas atividades de combate a incêndios são, normalmente, empregadas mangueiras de 38 mm (1½”) , 63 mm (2½”) , 75 mm (3”) e 100 mm (4”).
As de 75 mm e 100 mm destinam-se ao emprego em linhas adutoras. Em que pese mangueiras destes diâmetros servirem melhor para o transporte de grandes vazões de água, o mais comum na Corporação é o emprego das mangueiras de 63 mm para esta função.
Diâmetros de mangueiras
As de 38 mm normalmente são utilizadas em linhas diretas, de ataque e de proteção. As de 63 mm são normalmente utilizadas em linhas adutoras, podendo também ser empregadas em linhas diretas e de ataque quando maiores vazões forem desejáveis.
FONTE DE REFERÊNCIA
CESBOM - CENTRO DE ESTUDOS PARA BOMBEIROS
MANUAL DE EMPREGO DE MANGUEIRAS, ESGUICHOS E ACESSÓRIOS HIDRÁULICOS (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO)

.png)
.png)
.png)
.png)
.png)
.png)







