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Luxação "Características, Sinais, Causas e Primeiros Socorros"

É uma lesão traumática caracterizada pela perda completa da relação normal entre as superfícies de uma articulação. Em outras palavras, oc...

É uma lesão traumática caracterizada pela perda completa da relação normal entre as superfícies de uma articulação. Em outras palavras, ocorre o deslocamento de um osso em relação ao outro, fazendo com que as superfícies articulares deixem de manter seu alinhamento anatômico normal. Dependendo da intensidade do trauma, podem ocorrer simultaneamente lesões em ligamentos, tendões, músculos, vasos sanguíneos, nervos e até fraturas ósseas.

Quando a perda do contato entre as superfícies articulares é incompleta, permanecendo algum grau de contato entre elas, a lesão é denominada subluxação. Portanto, embora luxação e subluxação estejam relacionadas, não representam exatamente a mesma condição.

A luxação é frequentemente descrita de maneira popular como um “deslocamento da articulação”. Pode ocorrer em praticamente qualquer articulação do corpo, porém algumas regiões apresentam maior frequência de ocorrência, especialmente os ombros, cotovelos, dedos, joelhos e tornozelos, dependendo do mecanismo do trauma.

É importante diferenciar a luxação de outras lesões traumáticas. A contusão, por exemplo, ocorre quando um impacto provoca lesão dos tecidos, principalmente músculos e estruturas superficiais, sem necessariamente provocar o deslocamento das superfícies articulares. Pode causar dor, edema e hematomas, mas não caracteriza, por si só, uma luxação.

Principais Causas

As luxações geralmente estão relacionadas a forças capazes de ultrapassar os limites normais de movimento de uma articulação. Entre as principais causas estão:
- Traumatismos diretos ou indiretos;
- Quedas;
- Acidentes esportivos;
- Acidentes de trânsito;
- Movimentos bruscos ou torções;
- Traumas associados a fraturas;
- Alterações estruturais ou condições que provoquem instabilidade articular;
- Frouxidão ligamentar, capsular ou muscular.

A intensidade necessária para provocar uma luxação pode variar conforme a articulação envolvida, a idade, as características anatômicas e a existência de lesões ou condições prévias.

Além do deslocamento articular, o trauma pode provocar lesões associadas em ligamentos, tendões, músculos, vasos sanguíneos e nervos, tornando necessária uma avaliação médica adequada.

Sinais e Sintomas

Podem variar conforme a articulação afetada e a gravidade da lesão. Entre as manifestações mais comuns estão:
- Dor intensa na região;
- Deformidade ou alteração do contorno normal da articulação;
- Edema e aumento de volume;
- Alteração da posição ou do comprimento aparente do membro;
- Limitação ou incapacidade de movimentação;
- Sensibilidade intensa ao toque;
- Espasmos musculares;
- Alterações na coloração ou temperatura da extremidade;
- Formigamento, dormência ou perda de sensibilidade, quando há comprometimento nervoso.

Em alguns casos, a luxação pode estar associada a uma fratura, inclusive com exposição óssea. Por esse motivo, a presença de uma deformidade após um trauma deve ser considerada uma situação que necessita de avaliação profissional.

Diagnóstico

É realizado por meio da avaliação clínica e do exame físico, considerando o mecanismo do trauma, os sinais apresentados e a condição da articulação.

Os exames de imagem, especialmente a radiografia, são frequentemente utilizados para confirmar o deslocamento e verificar a presença de fraturas associadas. Dependendo da situação clínica, outros exames, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, podem ser solicitados para investigar lesões de estruturas como ligamentos, tendões, músculos e cartilagens.

A avaliação também deve considerar a circulação e a função neurológica do membro, principalmente quando existe deformidade importante ou suspeita de comprometimento vascular ou nervoso.

Primeiros Socorros

Diante de uma suspeita de luxação, a prioridade é evitar o agravamento da lesão e manter a pessoa o mais confortável e imóvel possível até que receba atendimento adequado.

As principais medidas incluem:
- Manter a calma e tranquilizar a vítima;
- Evitar movimentar desnecessariamente a articulação lesionada;
- Não tentar colocar o osso ou a articulação novamente no lugar;
- Manter o membro na posição encontrada, sem tentar corrigir a deformidade;
- Imobilizar cuidadosamente a região, quando houver condições e treinamento para isso;
- Observar alterações de circulação, sensibilidade ou movimento na extremidade;
- Evitar oferecer alimentos ou bebidas caso exista possibilidade de necessidade de procedimento médico;
- Acionar o serviço de emergência quando a situação exigir atendimento especializado.

Nunca se deve tentar realizar a redução de uma luxação por conta própria. Uma tentativa inadequada de reposicionamento pode provocar ou agravar lesões em vasos sanguíneos, nervos, ligamentos, músculos e estruturas ósseas. No Brasil, em situações de emergência médica, pode-se acionar o SAMU pelo número 192.

Tratamento

Depende da articulação envolvida, do mecanismo da lesão, da presença de fraturas e de possíveis danos às estruturas adjacentes. Quando indicado, a redução da luxação consiste no reposicionamento das superfícies articulares. Esse procedimento deve ser realizado por profissional de saúde habilitado, após avaliação adequada, pois determinadas luxações podem estar associadas a fraturas ou lesões vasculares e neurológicas.

Após a redução, pode ser necessária a imobilização temporária da articulação para permitir a recuperação dos tecidos lesionados. O período de imobilização varia de acordo com a articulação e a gravidade da lesão. Em determinadas situações, especialmente quando existem fraturas associadas, lesões graves de tecidos ou instabilidade articular, pode ser necessária intervenção cirúrgica.

Posteriormente, a reabilitação pode envolver fisioterapia, com o objetivo de recuperar gradualmente a mobilidade, a força muscular, a estabilidade e a função da articulação, reduzindo também o risco de novos episódios de luxação.

Atenção
Uma luxação deve ser tratada como uma lesão potencialmente grave, principalmente quando acompanhada de deformidade evidente, dor intensa, alteração da sensibilidade, perda de movimento ou sinais de comprometimento da circulação.

A conduta inicial deve priorizar a proteção da vítima, a imobilização da região afetada e o encaminhamento para avaliação médica, evitando qualquer tentativa de redução realizada por pessoas sem treinamento específico.


FONTE DE REFERÊNCIA
CESBOM - CENTRO DE ESTUDOS PARA BOMBEIROS