Antes de iniciar qualquer procedimento de abertura forçada, o bombeiro deve realizar uma avaliação criteriosa das condições da porta e d...

Antes de iniciar qualquer procedimento de abertura forçada, o bombeiro deve realizar uma avaliação criteriosa das condições da porta e do ambiente adjacente. A temperatura aparente da porta, a presença de calor irradiado, fumaça sob pressão, alterações no padrão de fumaça e outros sinais de comportamento anormal do incêndio podem indicar que o compartimento possui condições térmicas e atmosféricas extremamente perigosas. O contato com a superfície da porta deve ser realizado com extremo cuidado e dentro dos procedimentos operacionais estabelecidos, considerando que componentes metálicos podem atingir temperaturas elevadas e transmitir calor de forma intensa.
A abertura de uma porta em um ambiente confinado não deve ser tratada como uma simples ação mecânica. A alteração repentina das condições de ventilação pode modificar significativamente o equilíbrio entre calor, fumaça, oxigênio e gases combustíveis acumulados no interior do compartimento. Em determinadas condições, a introdução súbita de ar pode favorecer uma ignição rápida dos gases e provocar fenômenos de desenvolvimento extremo do incêndio, incluindo o backdraft, com risco de propagação violenta das chamas e exposição direta da equipe.
Por essa razão, o bombeiro responsável pela abertura forçada deve avaliar previamente o sentido de abertura, o comportamento da fumaça, o nível de calor, as características construtivas da edificação, a possibilidade de ventilação súbita e a existência de sinais compatíveis com uma atmosfera potencialmente inflamável. A abertura deve ser realizada de maneira controlada e coordenada com as demais ações da ocorrência, evitando intervenções precipitadas que possam comprometer a segurança da guarnição ou alterar desfavoravelmente a dinâmica do incêndio.
A identificação de uma possível condição de risco deve determinar a adoção de medidas de controle antes da abertura. Dessa forma, a abertura forçada deixa de ser apenas uma técnica de acesso e passa a constituir uma ação tática que pode influenciar diretamente o comportamento do incêndio. O objetivo é obter acesso ao ambiente sem produzir uma mudança abrupta de suas condições, preservando, tanto quanto possível, a segurança dos bombeiros e o controle operacional da ocorrência.
O primeiro cuidado com portas aquecidas é abri-las parcialmente, observando as condições do ambiente: lufadas de fumaça escura, pequenos focos com labaredas baixas e intenso calor são indicativos de possível explosão ambiental. Neste caso, cientificar prontamente o chefe imediato. Em incêndios em locais confinados, toda a abertura, principalmente de portas, deve ser feita com esse cuidado.
Portas Comuns
Podem ser com painéis de madeiras maciças ou ocas, de ferro e de vidro. As dobradiças e os batentes devem ser verificados para determinar o sentido da abertura, que pode ser para dentro ou para fora do ambiente.
a) Abertura para dentro do Ambiente
Sabe-se que uma porta abre para dentro do ambiente pelo fato de não se ver suas dobradiças, embora a parte conhecida como batedeira (parte do batente onde a porta encosta) fique à mostra. Para verificar se existem trincos, deve-se forçar a porta de cima até embaixo, do lado da fechadura. A porta apresentará resistência nos pontos em que se encontra presa ao batente, ou seja, onde há trincos.
A ponta de uma alavanca é colocada entre o batente e a porta, imediatamente acima ou abaixo da fechadura. Para se colocar a ponta da alavanca neste local, usa-se a machadinha para lascar a batedeira e expor o encontro da porta com o rebaixo do batente. Isto feito, força-se a outra extremidade da alavanca na direção da parede, afastando-a do batente. Nesta fresta, insere-se outra alavanca, forçando-a na direção da porta até abri-la. Repetir a operação para os demais trincos, se houver. No caso de não existir batedeira (encosto), o encontro da porta com o batente estará à mostra, bastando a utilização das alavancas para abrir a porta.
Outra ferramenta útil para abertura de portas é a alavanca cyborg. As fotos a seguir mostram seu emprego.
b) Abertura para fora do Ambiente
O mais comum é que as dobradiças estejam à mostra. Neste caso, ao se retirarem os pinos com a lâmina do machado ou martelo e formão, a porta, ou janela, se soltará. Em seguida, usam-se duas alavancas juntas e, alternando movimentos com elas, afasta-se a porta do batente, retirando-a. Não estando as dobradiças à mostra, usa-se alavanca encaixada imediatamente acima ou abaixo da fechadura, forçando-se a ponta desta na direção da parede, até o desencaixe da lingueta. Repetir a operação para os demais trincos, se houver.
c) Portas Duplas
São portas com duas folhas, geralmente uma delas fixada ao piso, na travessa do batente ou em ambos, e a outra é amparada por ela. Para abri-las, utiliza-se o mesmo processo usado em porta de uma folha, com a ressalva de que, nas portas duplas, a alavanca será encaixada entre as duas folhas.
Portas de Enrolar
São feitas de metal e são abertas empurrando-as de baixo para cima. Estas portas geralmente têm dois tipos de trava: uma junto ao chão e outra nas laterais.
A trava junto ao chão pode ser eliminada de diferentes maneiras:
- Se for um cadeado que prende a porta à argola fixada ao chão e se ele estiver à mostra, será cortado com o corta a frio.
- Se for uma trava tipo cilindro que prende a porta à argola e se estiver à mostra, bate-se com um malho no lado oposto da entrada da chave na fechadura, o que deslocará o cilindro, destravando a porta.
- Se for um cadeado ou uma chave tipo cilindro que não está à mostra, libera-se a porta das travas laterais e coloca-se uma alavanca grande, ou a cunha hidráulica, entre a porta e o piso, próxima à fechadura. Força-se a porta para cima, o que fará com que a argola desprenda-se do chão.
- Se houver dificuldade no desenvolvimento dos métodos anteriores, pode-se cortar a porta em volta da trava com o moto-abrasivo ou com o martelete pneumático. Após a abertura da porta, retirar o pedaço que ficou no chão, para evitar acidentes.
- Existindo hastes horizontais, cortam-se suas pontas com o moto-abrasivo, o mais próximo dos trilhos quanto for possível. O bombeiro saberá onde estão às hastes, tomando por base uma linha horizontal que parte da fechadura até o trilho.
Portas de Placa que abrem sobre a cabeça (basculante)
São constituídas de uma única placa com eixos horizontais nas suas laterais, que possibilitam sua abertura em movimento circular para cima. Seu sistema de fechamento é na parte inferior, junto ao solo, podendo haver travas nas laterais e até mesmo na parte superior, dependendo da exigência do usuário. Para sua abertura, são utilizados os mesmos métodos empregados na abertura das portas de enrolar, tomando-se o cuidado de forçar a porta no seu sentido de abertura. Todas as portas que abrem sobre a cabeça devem ser escoradas, após abertas.
Portas Corta-fogo
São portas que protegem a edificação contra a propagação do fogo. Quanto à forma de deslocamento, podem ser verticais ou convencionais (abertura circular). As portas de deslocamento vertical e horizontal permanecem abertas, fechando-se automaticamente quando o calor atua no seu mecanismo de fechamento.
Estes tipos de portas não necessitam ser forçadas, pois se abrem naturalmente com o esforço no sentido de seu deslocamento. As portas corta-fogo convencionais são dotadas de dobradiças e lingueta e, em certas circunstâncias, abrem para o exterior da edificação. Nestes casos, possuem maçaneta apenas do lado interno.
a) Se a dobradiça estiver à mostra, deve-se retirar o pino da mesma com uma talhadeira e martelo, ou cortar parte da dobradiça com o moto-abrasivo, e retirar a porta, tomando cuidado para que não caia sobre o bombeiro.
b) Se a porta for de uma folha, a lingueta poderá estar à mostra. Neste caso, pode-se forçá-la para fora com uma alavanca colocada entre a porta e o batente, imediatamente acima ou abaixo da fechadura, fazendo a lingueta soltar do seu encaixe, ou ainda, com o moto-abrasivo, cortar a lingueta da fechadura.
c) Se a porta for de duas folhas ou a lingueta estiver escondida pela batedeira, pode-se, com moto-abrasivo, cortar partes desta batedeira, e, logo após, a lingueta.
Portas Metálicas
Apresentam diferentes configurações construtivas e sistemas de fechamento, o que exige do profissional uma avaliação cuidadosa antes da intervenção. O sentido de abertura, o número de folhas, a posição das travas e a forma de fixação são elementos importantes para determinar a técnica mais adequada. A correta identificação desses componentes permite selecionar os pontos de intervenção com maior precisão, reduzindo esforços desnecessários e favorecendo uma abertura mais rápida e segura.
Portas metálicas de fechamento circular (convencional)
As portas de uma folha que abrem para fora do ambiente são tratadas de forma idêntica às portas corta-fogo. Quando abrem para dentro do ambiente têm à mostra. a batedeira metálica que deve ser cortada com o moto-abrasivo, bem como a lingueta que aparecer.
As portas de duas folhas podem abrir para dentro ou para fora do ambiente, sendo uma destas folhas fixadas no piso e na travessa do batente e a outra amparada por esta, trancada por um trinco horizontal. Com o moto-abrasivo corta-se a batedeira e o trinco, o qual será localizado pela resistência oferecida. As fotos a seguir exemplificam.
Portas Metálicas de fechamento horizontal
As portas de uma folha são difíceis de serem forçadas porque, em sua grande maioria, seu sistema de fechamento está por dentro da edificação, protegido por uma aba de alvenaria externa. Nestes casos, deve-se que efetuar a abertura na chapa com o moto-abrasivo. As portas fechadas por corrente e cadeado podem ser abertas facilmente com o corta a frio. Veja o exemplo nas fotos abaixo.
FONTE DE REFERÊNCIA
CESBOM - CENTRO DE ESTUDOS PARA BOMBEIROS
MANUAL DE ABERTURAS FORÇADAS (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO)

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