A compreensão dos motivos que levam indivíduos e grupos à prática do terrorismo exige uma análise multidimensional, que ultrapassa expli...

A compreensão dos motivos que levam indivíduos e grupos à prática do terrorismo exige uma análise multidimensional, que ultrapassa explicações simplistas baseadas exclusivamente em ideologia ou contexto político. O fenômeno terrorista é estruturado por um conjunto complexo de fatores que se inter-relacionam e se reforçam mutuamente, envolvendo dimensões estratégicas, subjetivas e socioculturais. Nesse sentido, os estudos especializados classificam essas motivações em três eixos principais: racional, psicológico e cultural, os quais não atuam de forma isolada, mas frequentemente combinados na formação e manutenção da conduta terrorista.
Sob a perspectiva analítica, o terrorismo pode ser interpretado tanto como uma escolha estratégica deliberada quanto como expressão de conflitos internos e pressões coletivas. Em determinados contextos, observa-se que a ação terrorista resulta de um cálculo objetivo, no qual são avaliadas variáveis como custo, benefício, capacidade operacional e vulnerabilidade do alvo. Em outros casos, fatores psicológicos desempenham papel central, especialmente no que se refere à identidade, pertencimento e percepção de legitimidade das ações. Paralelamente, elementos culturais moldam valores, crenças e percepções de ameaça, influenciando diretamente a disposição para o uso da violência.
A interdependência dessas motivações evidencia que o terrorismo não pode ser compreendido apenas como um ato irracional ou desviante, mas sim como um comportamento inserido em contextos específicos, onde lógica estratégica, construção psicológica e identidade cultural convergem. Assim, a análise estruturada dessas três dimensões permite não apenas compreender os fundamentos que sustentam a ação terrorista, mas também identificar padrões de comportamento, fatores de risco e dinâmicas de radicalização que são essenciais para estudos técnicos e operacionais sobre o tema.
Motivação Racional
O terrorista racional pensa com suas metas e opções, fazendo uma análise das custas e benefícios. O intento é determinar se há maneiras menos custosas e mais eficazes de alcançar seus objetivos que o terrorismo. Para avaliar o risco ele mede as capacidades defensivas do alvo contra suas próprias capacidades para atacar.
Ele mede as capacidades de seu grupo para sustentar o esforço. A pergunta essencial é se o terrorismo trabalhará para o propósito desejado. A análise racional do terrorista é similar a de um comandante militar ou de um empresário de negócio que considera as linhas de conduta disponíveis.
A história recente oferece exemplos de diversos grupos que tiveram perspectivas aparentemente boas de sucesso e que pagou o preço da reação ao terrorismo. Nos anos 70, Os Tupamaros no Uruguai e o ERP (Exército Revolucionário do Povo) e Os Montoneros na Argentina causaram uma reação popular hostil ao terrorismo. Empurraram as sociedades além de seu ponto de tolerância e foram destruídos conseqüentemente. Igual é a verdade de diversos grupos que trabalham na Turquia no final dos anos 70 e, possivelmente, diversas famílias de Mafiosos na Itália nos anos 90.
Motivação Psicológica
A motivação psicológica para o terrorismo deriva do descontentamento pessoal do terrorista com sua vida e suas realizações. Ele encontra sua razão na ação dedicada do terrorismo. Embora não se encontre nenhuma psicopatia clara entre terroristas, há um elemento quase universal entre eles que podem ser descritos como “os verdadeiros terroristas”. Não consideram que seus atos podem ser incorretos, mas que por outra visão podem ter certo mérito.
Os terroristas tendem a projetar suas próprias motivações anti-sociais entre outras, cria uma situação psicológica que pode ser expressa da seguinte maneira “nós contra eles”. Atribuem somente motivos perversos a qualquer pessoa exterior a seu próprio grupo. Isto permite aos terroristas desumanizar a suas vítimas e acabar com qualquer sentimento de ambiguidade em suas mentes.
A outra característica comum dos terroristas psicologicamente motivados é a necessidade de pertencer a um grupo. Com alguns terroristas, a aceitação do grupo é um motivador mais forte que os objetivos políticos indicados pela Organização. Tais indivíduos definem seu status social pela aceitação do grupo.
Os grupos de terroristas encontram motivações internas fortes enquanto for necessário para alinhar continuamente a existência do grupo. Devem cometer atos violentos para manter a auto-estima do grupo e legitimidade. Assim os terroristas realizam às vezes ataques que não produzem ou ainda são ineficazes conforme seus objetivos anunciados.
Motivação Cultural
As culturas formam valores e motivam as pessoas às ações que se parecem irracionais aos observadores não nativos. Os americanos são relutantes em apreciar o efeito intenso da cultura no comportamento. Validamos o mito de que o comportamento racional dirige todas as ações humanas. Embora o comportamento irracional ocorra em nossa própria história, não tentamos explicá-lo por outros meios.
O tratamento da vida geral e individual em detalhe é uma característica cultural que tem um enorme impacto no terrorismo. Nas sociedades em que as pessoas se identificam com a qualidade de cada membro do grupo (família, clã, tribo), pode haver um boa vontade para sacrificar-se. Ocasionalmente, os terroristas parecem ser impacientes para dar suas vidas por sua organização e causa.
Um motivo cultural importante do terrorismo é a antecipação de uma ameaça a sobrevivência étnica do grupo. O medo da exterminação cultural conduz a violência. Todos os seres humanos são sensíveis às ameaças aos valores pelos quais se identificam. Isto inclui a língua, a religião, a qualidade do membro do grupo e o território da pátria. A possibilidade de perder quaisquer destes valores pode fazer
com que a pessoa acione sua defensiva.
A religião pode ser o mais volátil dos identificadores culturais, porque abrange valores profundos. Uma ameaça para sua religião põe, não somente o presente, em risco, mas também seu fim cultural e o futuro. Muitas religiões, incluindo o cristianismo e o Islam, têm utilizado a força para obter adeptos. O terrorismo em nome da religião pode ser especialmente violento.
FONTE DE REFERÊNCIA
CESBOM - CENTRO DE ESTUDOS PARA BOMBEIROS
CESBOM - CENTRO DE ESTUDOS PARA BOMBEIROS
MANUAL DE GERENCIAMENTO DE CRISES ENVOLVENDO SUICIDAS E ATENTADOS TERRORISTAS (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO)








