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Navegação Terrestre Diurna e Noturna em Operações de Salvamento

Constitui um importante recurso operacional para o deslocamento organizado de equipes em ambientes nos quais a identificação do caminho ...

Constitui um importante recurso operacional para o deslocamento organizado de equipes em ambientes nos quais a identificação do caminho e a manutenção da direção podem representar um desafio. Em operações de busca e salvamento, especialmente em áreas de difícil acesso, a capacidade de deslocar-se de maneira planejada e segura é fundamental para preservar a organização da equipe e favorecer o cumprimento da missão.

A atuação em ambientes naturais exige do bombeiro não apenas preparo físico e conhecimento técnico, mas também capacidade de observação, disciplina e atenção às características do terreno. A ausência de referências facilmente identificáveis pode dificultar a orientação e comprometer a progressão da equipe, tornando necessário o emprego de procedimentos que contribuam para manter o controle do deslocamento.

Nesse contexto, a organização dos integrantes da equipe assume papel fundamental. A definição de responsabilidades permite que diferentes aspectos da progressão sejam acompanhados simultaneamente, proporcionando maior controle sobre o deslocamento e favorecendo a segurança de todos os envolvidos na operação.

O conhecimento adequado das técnicas de navegação terrestre também contribui para reduzir erros de orientação e proporcionar maior confiança à equipe durante a execução de uma missão. Para isso, é necessário que os integrantes estejam familiarizados com os procedimentos empregados e compreendam a importância da atuação coordenada durante toda a progressão.

Assim, antes da execução de uma operação de busca e salvamento em ambiente de vegetação, é fundamental compreender os princípios que orientam o deslocamento terrestre e a organização da equipe. Esses conhecimentos constituem a base para uma progressão mais segura, disciplinada e eficiente, permitindo que os procedimentos específicos de navegação sejam empregados de acordo com as necessidades da missão.

Navegação Terrestre Diurna 

Com uso de bússola e carta, uma equipe de navegação em vegetação de risco deverá ser composta preferencialmente por 4 bombeiros,  a saber: 
a) Homem-ponto: será aquele lançado à frente para servir de ponto de referência. Portará um facão para abrir a picada. 
b) Homem-bússola: será o portador da bússola e se deslocará imediatamente à retaguarda do homem-ponto, deverá manter a bússola amarrada ao corpo para não perdê-la, quando não estiver sendo utilizada deverá estar fechada. 
c) Homem-passo: Será aquele que se deslocará atrás do homem-bússsola com a missão de contar os passos percorridos e transformá-los em metros. Para desempenhar essa função, deverá ter o passo aferido com antecedência.   
d) Homem-carta: Será o que conduzirá a carta (se houver) e auxiliará na identificação de pontos de referência ao mesmo tempo em que nela lançará outros que mereçam ser locados.  
 
A fim de se aferir o passo deve-se, em terreno plano, medir e marcar a distância de 100 metros. Em seguida deverá ser percorrida essa distância por 10 vezes, observando-se assim, cada vez, um determinado número de passos. Após tirar a média, deve-se concluir em quantos passos são percorridos os referidos 100 metros.  

Após essa identificação deve-se somar um terço. Essa margem de segurança compensará os erros provenientes de incidentes comuns nos deslocamentos através da vegetação como quedas, desequilíbrios, passagens sobre troncos, pequenos desvios, terrenos elevados e outros.  
 
É aconselhável que todos os homens que integram a equipe tenham conhecimento do emprego da bússola e possuam o passo aferido, o que possibilitará o rodízio de funções. Na ausência de homens suficientes para cumprir todas as funções, o homem-bússola poderá assumir também a funções do homem-passo e do homem-carta, se houver. 

A equipe em tela poderá dispor ou não de um azimute (direção) a ser seguido. Pode ocorrer que a direção e a distância sejam fornecidas pela própria vítima ou então que seja de conhecimento a localização exata ou aproximada do destino, bastando que se seja extraído o azimute de partida.

Se o resgate não dispor de nenhuma coordenada quanto a direção, as informações deverão ser obtidas de acordo com testemunhas, habitantes locais e após um calmo estudo da situação, conforme o caso, será selecionada uma direção para navegação, marcando o azimute. Isso evitará que se caminhe em círculos, o que é normal ocorrer sem uso de equipamentos. Para retornar ao ponto de partida, deve-se orientar pelo contra-azimute. 

Quer seja azimute ou contra azimute deverão ser adotados os seguintes procedimentos:  
- O homem bússola lançará o homem-ponto a frente, na direção do azimute até o limite de sua visibilidade.  O homem-bússola determina, com precisão, o local onde o homem-ponto deverá parar. Estando este parado aquele se deslocará até ele e o fará dar um novo lance a frente, na direção do azimute de marcha, repetindo as operações anteriores. Será, portanto, uma navegação por lanços.  

- O homem-ponto, enquanto se deslocar, deverá usar o facão para abrir o caminho e melhorar a visibilidade, apenas na medida da na necessidade, para os que vem a retaguarda, sem causar danos exagerados na vegetação. 

- O homem-passo seguirá aqueles dois, contando o número de passos e na medida que atingir 50, 100 ou quantos passos se convencionar, anotará em cordão por meio de nós, palitos de fósforos, pequenos galhos, folhas ou outro meio qualquer, de modo que, a qualquer momento, possa converter seus passos em metros e saber a distância percorrida. E ainda, caso haja uma carta e surjam acidentes dignos de serem locados, essa distância será necessária para identificar o local exato.

Navegação Terrestre Noturna 

Tal navegação deverá ser sempre evitada uma vez que os riscos aumentam consideravelmente nesse tipo de operação. No caso de necessidade e urgência, no entanto, a navegação noturna avaliada conforme o caso concreto, poderá ser realizada sendo valido aqui tudo o que foi dito para a navegação diurna, devendo-se ficar atentos apenas a algumas peculiaridades tais como:  
- O homem-ponto deverá portar um bastão de 02 metros de comprimento no qual será afixada uma tira luminosa (fosforescente) a fim de servir de objetivo para a visada do homem-bússola. Esse bastão servirá também para ajudar a manter o equilíbrio para esquadrinhar o terreno a percorrer. Duas tiras verticais de fitas luminosas, separada por uns dois centímetros, deverão ser colocadas na parte posterior da cobertura da cabeça, uma tira apenas poderá causar efeitos hipnóticos e prejudicar as visadas. Na falta de cobertura, as tiras deverão ser colocadas na gola da camisa. Como meio de fortuna poderão ser utilizados vaga-lumes ou mesmo algumas folhas caídas que produzem luminosidade. 

- O homem-bússola deverá portar uma bússola luminosa e tanto ele como todos do grupo, deverão estar bem familiarizados, com seu uso porque a noite o manejo será diferente e, conforme o tipo do instrumento, até a audição terá de ser empregada. Será o caso da bússola que possui anel serrilhado móvel que gira para a direita e esquerda, fazendo um barulho característico. O clique representará um certo número de graus, conforme o tipo do aparelho. As mesmas identificações luminosas deverão ser portadas pelo homem-bússola para guiar os da retaguarda. Além disso, os lanços do homem-ponto devem ser muito bem controlados pelo homem-bússola, uma vez que durante a noite, a visibilidade poderá se restringir a poucos metros.  

- O homem-passo, durante à noite, será mais importante que durante o dia. Deverá deslocar-se colado ao homem-bússola para não se perder, e sentirá que a contagem de passo tornar-se-á uma operação monótona. Deverá portar também referência luminosa.    
 
- O homem-carta, deverá portar uma lanterna pois se nada enxergar não terá função, limitando-se a concorrer ao rodízio de funções, o que será muito importante na navegação noturna. 

- Todo o grupo deverá deslocar-se com seus integrantes o mais próximo possível uns dos outros. Todos deverão portar identificadores luminosos, bem como ter estabelecido entre si um código simples de sinais. Terão que redobrar os cuidados para não perder objetos ou equipamentos. Se houver lampiões, lanternas ou lamparinas, as condições de marcha melhorarão sensivelmente. 

- Com exceção do paladar, os demais sentidos serão bastante solicitados à noite. A visão, mesma após adaptada a escuridão, sentirá o esforço  para enxergar. 

- As mãos terão a função de esquadrinhar o espaço à frente e dos lados, identificando possíveis obstáculos à progressão, inclusive acima da cabeça. Os pés sondarão o terreno para a execução de um simples passo a frente ou para os lados.  Se pretender se sentar ou deitar, a busca terá então de ser mais detalhada e demorada para evitar surpresas.  

- Com o olfato será possível identificar odores que sirvam para auxiliar a busca de um objetivo, como o de cigarros acesos, da fumaça produzida por lenha de fogueira, e outros. 

- A audição produzida identificará os sons comuns, bem como as distâncias em que são produzidos. Poderá haver ilusões, pois a cobertura vegetal afeta a noção de distância. 

Após essas considerações é fácil chegar a conclusão de que os deslocamentos noturnos não serão compensadores, sendo inclusive, perigosos. Entretanto, se necessário, poderão ser executados atentando-se as particularidades acima.    


FONTE DE REFERÊNCIA
CESBOM - CENTRO DE ESTUDOS PARA BOMBEIROS
MANUAL DE BUSCA E SALVAMENTO EM COBERTURA VEGETAL DE RISCO (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO)