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Principais Equipamentos para Salvamento em Enchentes e Rios

As operações de salvamento em enchentes e rios apresentam características próprias e submetem o bombeiro a um ambiente dinâmico, instáv...

As operações de salvamento em enchentes e rios apresentam características próprias e submetem o bombeiro a um ambiente dinâmico, instável e com riscos que podem variar rapidamente. Correntezas, baixa visibilidade, obstáculos submersos, águas contaminadas, exposição prolongada e o próprio risco de afogamento exigem preparo técnico e equipamentos adequados para que a missão seja realizada com segurança e eficiência.

Nesse contexto, o Equipamento de Proteção Individual (EPI) deve ser compreendido como muito mais do que um uniforme. O equipamento utilizado pelo bombeiro precisa atender às exigências específicas do ambiente aquático, proporcionando proteção térmica, física e contra a exposição à água, sem comprometer sua mobilidade e capacidade de atuação.

A definição do EPI adequado deve partir, portanto, da análise dos principais riscos encontrados durante uma ocorrência de enchente. Entre eles destacam-se a exposição prolongada ao frio, a contaminação pelas águas, a possibilidade de contusões, cortes e escoriações provocados por obstáculos ocultos e, principalmente, o risco de afogamento.

A partir dessa avaliação, torna-se necessário estabelecer um conjunto mínimo de equipamentos capaz de proporcionar proteção ao bombeiro e, simultaneamente, permitir a execução das técnicas de salvamento. Além dos equipamentos de proteção individual, a operação exige materiais de uso coletivo e meios adequados para o deslocamento e transporte de vítimas.

Dessa forma, a seleção do EPI, dos equipamentos de uso coletivo e das embarcações deve estar diretamente relacionada às características da ocorrência e aos riscos presentes no ambiente. A segurança do bombeiro constitui condição fundamental para o cumprimento da missão e para a preservação da vida das vítimas.

Equipamento de Proteção Individual

Mais do que um uniforme, o EPI para o salvamento em enchentes e rios é vital para um eficiente cumprimento da missão. Infelizmente o uniforme regulamentar, descrito no Regulamento de uniformes, não condiz com a segurança do homem e não tem um caráter muito técnico. 

Para que seja garantida a segurança do bombeiro, procuramos definir o mínimo necessário para o salvamento, sendo que todos os materiais, com exceção do capacete específico, o Corpo de Bombeiros possui.  

Cabe antes de tudo resumir os riscos encontrados pelo bombeiro em uma ocorrências típica de salvamento em enchentes para que possamos definir o EPI ideal: 
- Exposição Prolongada ao Frio: apesar das enchentes acontecerem no verão, o bombeiro tem um sério risco de entrar em um quadro de hipotermia devido ao tempo de exposição, o que nos sugere uma proteção térmica; 

- Contaminação: as águas que enchem as várzeas e extravasam dos córregos geralmente são poluídas, o que nos leva a conclusão que o bombeiro, para atuar sem correr riscos desnecessários, precisaria ter uma vestimenta impermeável; 

- Contusões, Cortes e Escoriações: devido ao fato das águas serem escuras, possuírem obstáculos escondidos (pedras, galhos, latas etc.), a conclusão lógica é que todo o corpo do bombeiro esteja coberto com algum tipo de proteção; e 

- Afogamento: como o trabalho de salvamento dar-se-á na água, corre-se o risco de afogamento, então, pressupõem-se o uso de um flutuador pessoal pelo bombeiro para se manter na superfície da água.  

Após resumir os riscos, e verificarmos os recursos do Corpo de Bombeiros, chegamos ao seguinte EPI:  

Capacete para Salvamento Aquático
De plástico injetado e com espumas para amortecimento ( não é necessário apara quedas devido ao fato de ser só proteção para serviços aquáticos) , deve ser da cor amarela (mais visível na água) e possuir furos para o escoamento da água. 

Não deve ser utilizado, em hipótese alguma, o capacete "Gallet", visto que ele não possui um sistema de escoamento e não foi projetado para salvamento aquático. Já alguns capacetes utilizados para o salvamento em altura. podem ser utilizados com boa eficiência para o salvamento aquático.


Roupa Isotérmica
Pode ser de Neoprene ou uma roupa seca, sendo que o importante é que cubra o corpo inteiro, podendo ser em uma ou duas peças. 

Tênis
Deve ser leve, com solado de borracha e de amarrar, não sendo recomendado calçados do tipo botina de couro,  galocha, bota de couro cano alto e bota de Neoprene, visto que ou são pesados e saem fácil do pé. 

Luvas
Devem ser de Neoprene com a parte da palma da mão confeccionada em material anti-abrasivo (exemplo, kevlar) 

Colete Salva-vidas
Com capacidade para, no mínimo, 12 kg de flutuabilidade, ser confortável para a natação, possuir bolsos para colocação de equipamentos, alças para fixação de faca, apito acoplado, uma cinta peitoral com um dispositivo de soltura rápida e ter um reforço em toda sua extensão longitudinal.

A colocação do colete salva vidas para operação enchente deve se ater aos seguintes detalhes:


- Zíper: NÃO  deve ser esquecido de maneira nenhuma de ser fechado, pois é o principal elemento "fixador" do colete ao corpo do bombeiro; 
- Ajuste Lateral: deve ser feito logo após fechar o zíper, pegando as alças e puxando para frente até ficarem justas; 
- Limitador Inferior: deve ser ajustado após o ajuste lateral, devendo ele ficar bem justo(sem ficar apertado) pois é ele que impedirá a subida do colete quando na água; 
- Fivela para Soltura Rápida: deve ser dado total atenção para tal fivela, uma vez que ela é a principal inovação do colete e o vida do bombeiro dependerá dela. A passada da cinta peitoral na fivela deve ser conforme a ilustração abaixo, pois só assim ela prenderá se for submetida à tração e soltará se a fivela for aberta pelo bombeiro.  


Equipamento de Uso Coletivo

Constituem recursos fundamentais para a atuação segura e eficiente do bombeiro em enchentes, rios e outros ambientes aquáticos. Nessas ocorrências, as condições do cenário podem mudar rapidamente, exigindo conhecimento técnico, preparo e capacidade de utilizar corretamente os materiais disponíveis.

Cada equipamento possui características, finalidades e limitações próprias. Sacolas de arremesso, cordas, mosquetões, freios, cabos, fitas tubulares, polias e cordins podem ser empregados em diferentes situações, especialmente em ações de lançamento, ancoragem, progressão e estabelecimento de sistemas de segurança.

O conhecimento desses materiais não deve se limitar à identificação de suas características. O bombeiro deve estar familiarizado com seu manuseio e aplicação prática, desenvolvendo, por meio de treinamentos, segurança, precisão e rapidez durante a operação. Dessa forma, a utilização adequada dos equipamentos contribui para reduzir os riscos e aumentar a eficiência das ações de salvamento, preservando tanto a vida da vítima quanto a segurança da equipe.

Sacola de Arremesso
É uma sacola de nylon com um flutuador de neoprene no fundo e uma corda de 15 a 20 metros de polipropileno (flutuante) de 8 milimetros de diâmetro; constitui no principal instrumento de Salvamento em Enchentes e Rios, podendo ser "operada" por qualquer um de qualquer guarnição. 


A sacola de salvamento pode ser lançada, basicamente, de duas formas: por baixo e por cima, devendo o bombeiro treinar a forma que melhor lhe convir.  

Lançamento por cima

Já a sequência para o lançamento, em qualquer situação, é a seguinte: 


Cabe salientar que esta sequência serve para qualquer situação de lançamento da sacola, independente do POP descrito. 

Corda Estática
Encontrada no "Kit" de Salvamento Aquático, ela tem aproximadamente 40m, sendo confeccionada em poliamida.  Serve para ancoragem de embarcações e  usos gerais, admitindo uma carga aproximada de 1200 quilos. 

Mosquetão
Importantíssimo para ancoragens, também é encontrado no "Kit" de Salvamento Aquático.

Freio Oito
Material de suma importância, geralmente encontrado nas viaturas AS e ABS do Corpo de Bombeiros.

Cabo da Vida
Corda de Polipropileno geralmente utilizada para confecção de cadeirinhas e ancoragens, tem seu uso, neste caderno de treinamento, relacionado com ancoragens.  

Fitas Tubulares
Material que começa a ser introduzido no Corpo de Bombeiros, tem seu uso relacionado com ancoragens, sendo que sua capacidade de carga supera muito a do cabo da vida, tendo como vantagens a leveza e a durabilidade. 

Polias
São roldanas específicas para o salvamento de vidas humanas; já foi introduzido este material no Corpo de Bombeiros e tem, como principais vantagens em relação às patescas e roldanas existentes, a leveza, as dimensões reduzidas e a capacidade de carga. 

Cordins
São cordas de diâmetros reduzidos (7mm, geralmente), que servem para ancoragens e confecção de sistemas de redução de força, sem desgastar a corda principal com os nós de tração. 

Embarcações

Temos, no universo do Corpo de Bombeiros, alguns tipos de embarcações que são utilizadas para os trabalhos de salvamento nas enchentes. Tais embarcações, descritas a seguir, não são as ideais para o salvamento em enchentes, apesar da "tradição" dizer o contrário. 

Barco de Alumínio
Feita em alumínio e medindo em torno de 3 metros de comprimento por 1,30 de largura, é a mais utilizada no Corpo de Bombeiros, sendo descrita pela tradição como a "ideal". Infelizmente, é a mais DESACONSELHÁVEL embarcação que o Corpo de Bombeiros possui para as atividades de salvamento, tendo como problemas operacionais a instabilidade, a capacidade reduzida de carga (4 vítimas), o alto grau de especialização que exige do condutor e a falta de espaço para conduzir com segurança uma vítima politraumatizada. Suas vantagens se resumem ao preço, a facilidade de transporte e ao peso. 


Bote Inflável de Casco Rígido
Normalmente utilizado em operações de mergulho e prevenções aquáticas, tal bote é muito mais seguro que o barco de alumínio, possuindo maior capacidade de carga (6 passageiros). Apesar da segurança, não é uma embarcação boa para o salvamento em enchentes, visto que seu peso, sua dificuldade para o transporte e para a condução por remos inviabilizam sua  utilização. 


Bote Inflável de Casco Articulado
Apesar de ser parecido com o de casco rígido, o fato de ter o casco articulado alivia seu peso e facilita a condução por remo, transformando-o em uma opção razoável para o salvamento em enchentes. 


Bote Inflável do ASE Ziegler
Fácil de transportar, leve e com diversas alças para ancoragem, é uma das melhores opções  que o Corpo de Bombeiros possui para o salvamento em enchentes, apesar de possuir uma baixa capacidade para carga (03 pessoas) e ser muito estreito. A condução deste bote requer um mínimo de treinamento e o espaço interno possibilita o transporte de 01 vítima politraumatizada. 

Balsa Inflável para o Salvamento em Enchentes 
Baseado nos botes para "Rafting", este é a embarcação ideal para o salvamento em enchentes, tendo uma excelente segurança e diversas alças para ancoragens. É leve, fácil de transportar, requer um mínimo de treinamento para conduzi-lo e tem uma boa capacidade de carga (06 pessoas), com as dimensões em torno de 0,5 metros maiores que a do barco de alumínio, tendo como única desvantagem o preço.  



FONTE DE REFERÊNCIA
CESBOM - CENTRO DE ESTUDOS PARA BOMBEIROS
MANUAL DE SALVAMENTO EM ENCHENTES (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO)