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Acionamento dos Órgãos Participantes

Todas as Unidades Operacionais de Bombeiros atendem diariamente inúmeras ocorrências (incêndio, salvamento e principalmente de resgate),...

Todas as Unidades Operacionais de Bombeiros atendem diariamente inúmeras ocorrências (incêndio, salvamento e principalmente de resgate), que são consideradas típicas e, na maioria dos casos, são de menor complexidade, ou seja, são próprias da função e, portanto, previsíveis, sendo resolvidas pelos integrantes do Corpo de Bombeiros com total facilidade, apenas pela observância dos Procedimentos Operacionais Padrão (POP), acionando-se, quando necessário, os demais órgãos de apoio, que também procedem de forma padronizada. 

Porém nem todos os tipos de ocorrências são de menor complexidade e acontecem nas áreas de atuação do Corpo de Bombeiros. Cada região apresenta características e peculiaridades de forma individualizada que podem, ou não, gerar eventos danosos e desastrosos, havendo a necessidade então de se ter o conhecimento dessas características (identificação e análise dos riscos), para que não ocorram tais eventos ou, em ocorrendo, para que haja uma adequada atuação de todos os órgãos  (medidas de prevenção de acidente e planejamento para situações de emergência), a fim de minimizar os resultados; daí falar-se do “alerta”, quando do início das ações de preparação para atuação em desastres. 

Quando falamos em ações de preparação para atuação em desastres, verificamos o quanto é importante estudar os riscos da região em que se atua, se nela existem grandes áreas industriais, principalmente indústrias químicas, de produtos inflamáveis, radioativos, etc; refinarias ou plataformas marítimas de petróleo; terminais ferroviários ou marítimos; aeroportos; rodovias e ferrovias com transporte de produtos perigosos; oleodutos e gasodutos; se na região existe mar; rios; represas; encostas; morros e vales; enfim, para que possamos planejar a atuação adequada conjuntamente com os demais órgãos que obrigatoriamente estarão envolvidos. 

Devemos manter, nos Centros de Operações cópias dos planejamentos realizados para os possíveis desastres de grande porte de cada região, bem como o plano de acionamento dos responsáveis pelos órgãos envolvidos. A partir do momento em que é dado o “alerta”, ou seja, são acionados os órgãos constantes do planejamento de atuação de uma determinada ocorrência, todos deverão migrar para o local dos acontecimentos procedendo conforme acordado, o que proporcionará a diminuição da probabilidade de equívocos no atendimento e, consequentemente, a minimização dos danos.

Operador do COBOM desencadeando Plano de Acionamento 

Quando do cadastro das autoridades de um município ou região, devemos observar quais os órgãos que poderão compor as equipes de socorro (Corpo de Bombeiros, Unidades de Policiamento ostensivo geral e especializado da PM, Guarda Municipal, Forças Armadas, órgãos de saúde e voluntários especializados), equipes de assistência (integrantes da promoção e assistência social local, da educação, dos órgãos de saúde, efetivo das Unidades de Policiamento ostensivo geral e especializado da PM, efetivo das Forças armadas e Guarda municipal e voluntários), equipes de segurança (efetivo das Unidades de Policiamento ostensivo geral e especializado da PM, efetivo das Forças Armadas e Guarda Municipal), equipes de saúde (profissionais da área de saúde da rede pública e particular e voluntários qualificados), equipes de saneamento básico (profissionais de empresas responsáveis pelo saneamento básico e voluntários), equipes de transporte (profissionais das empresas responsáveis pelos setores de transporte urbano e rodoviário e voluntários qualificados), equipes de telecomunicações (profissionais das empresas responsáveis pelas comunicações e voluntários qualificados), equipes de energia elétrica (profissionais responsáveis pelo abastecimento de energia elétrica e voluntários qualificados), equipes de apoio administrativo (auxiliar da defesa civil da região, pessoal da administração municipal, colaboradores e voluntários) e montagem de abrigos que devem ter condições mínimas de segurança, ou seja, estar fora da área do desastre, ser de fácil acesso, ter condições básicas de saúde pública, água, gás, luz e meios de comunicação, possam comportar alojamentos e sanitários masculinos e femininos, cozinha, administração, área de serviço, almoxarifados, etc. 

Importante lembrar que podemos também contar com o apoio de uma Força Tarefa do Corpo de Bombeiros, composta por integrantes fixos e integrantes que compõem o efetivo dos Grupamentos de Bombeiros de São Paulo, que se mantém de sobreaviso diariamente, sendo treinados para se deslocar quando do acionamento para a atuação em qualquer ponto do Estado e do Brasil, em caso de ocorrência de grandes emergências, que superem a capacidade de resolução das autoridades locais, em virtude dos recursos humanos e dos materiais de 
que dispõem. 

Existem no Comando do Corpo de Bombeiros normatizações à respeito da Força Tarefa: sua criação, função, composição, como deve ser acionada e a quem compete determinar seu deslocamento, etc; é interessante termos ciência de que, se houver a necessidade, poderemos dispor de mais recursos humanos com capacidade, bem como de meios materiais que se encontram acondicionados em uma reserva, compreendendo desde de aparelhos desencarceradores hidráulicos até cães farejadores para apoio em busca e salvamento de vítimas soterradas. 

Tropa da Força Tarefa

Divulgação aos Meios de Comunicação

O Corpo de Bombeiros deve ter uma relação próxima à imprensa, principalmente durante a ocorrência das grandes emergências, pois, dessa forma, a mídia divulgará ao público diversas orientações, como, por exemplo não trafegar em determinadas zonas de isolamento, angariar alimentos e roupas para desabrigados, etc. 

Dependendo da região em que se atua, como, por exemplo, a região litorânea ou outras com peculiariedades diversas, devemos verificar a hipótese de acontecimento de uma situação de risco que nunca existiu, mas que não poderemos jamais descartar: para tanto, devemos manter contatos com outros órgãos, a fim de nos anteceder frente a situações novas, tais como maremotos, tsunames, terremotos, tornados, etc. É de suma importância contar com todo o apoio tecnológico disponível, tais como o Instituto Geológico (IG), o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o Instituto Astronômico e Geofísico (IAG) e outros, e, de posse de informações importantes, tomarmos as providências viáveis e adequadas para a minimização dos danos, dentre elas a divulgação dos eventos na imprensa. 


FONTE DE REFERÊNCIA
MANUAL DE ATUAÇÃO DO CORPO DE BOMBEIROS NAS ATIVIDADES DE DEFESA CIVIL (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO)